quarta-feira, 3 de agosto de 2011

INTRODUZINDO


Todos que conhecem bem a minha história, digo daqueles que me seguem desde a infância, que não são muitos, sabem que onde eu morava, tinha no fundo do quintal uma goiabeira das mais frondosas que já se viu. Seu fruto, “da branca”, tinha no doce, o paladar mais gostoso. Jamais pegara um deles com aqueles bichinhos indesejáveis que vivem enfurnados na sua própria caça. De todos os galhos da goiabeira , tinha um que era especial. Parecia um banco com encosto e tudo. Era, de fato, e eu não sabia na época, o meu divã particular, de onde se via passar as horas mais relevantes, relaxantes e graves do dia, desde a minha infância à adolescência. Podia me acomodar lá em cima, a quase dois metros do chão, de maneira confortável para um menino que, tranquilo, desfilava de boa saúde. Ficava ali absorvido pelos pensamentos cuja a qualidade era incomum à idade mas que não compreendia muito bem, o porquê de tais incursões. Refletia sobre coisas da vida prematuramente sem contudo dividi-los com qualquer pessoa de convívio. Introspectivo na essência, revelava ainda uma imensa timidez. Visito aqui esses dias de minha vida com intenção de contaminar, convidando o leitor num mergulho a nobre e absoluta arte do pensar de forma pouco convencional. Não faz longe a data que comecei a escrever, tendo encontrado imenso prazer em dividir impressões e reflexões, rastreando os conflitos e prazeres humanos, assim como simplesmente contando "causos", comentando fatos corriqueiros, uma partida de futebol, uma música erudita executada no coração de uma favela, a natureza não vista ou revista. Meu desejo altaneiro é inquietar o meu leitor, provocando-o a maneira de se fazer escutar os ecos dos graves e agudos de uma canção muda. Junto comigo.


Valter Brito

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