sábado, 6 de agosto de 2011

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

Vejo clara as opiniões dos colegas que dissertaram sobre trajetória profissional e sempre defendi como educador, embora "fora de serviço", que as aptidões adormecidas deveriam ser investigadas já no ensino fundamental, sem rotular os inocentes ou mesmo roubar-lhes a cena, apropriando ou projetando em seus destinos, mas incluindo na grade de disciplinas a "Educação Vocacional", sem mensuração de notas e com informações importantes das mais diversas profissões do mundo, finalizando numa espécie de teste de aptidões.

Direcionar bem sua carreira é o grande barato (e negócio!). O profissional compromissado que faz realmente o que gosta, procura no seu labor diário, ser um destaque em sua área, muito naturalmente. Isso vem a contribuir para um bem-estar físico e mental chamado felicidade.

Outra coisa que considero importante é a educação continuada. Mas isso, claro, tem um custo que só pode ser conseguido com margens apropriadas no orçamento. Por isso, estar ocupando determinadas profissões pode ter um caráter provisório, a fim de ser o esquema facilitador para tocar projetos pessoais. Viver é caro e a acomodação traz, no seu bojo, prejuízos ainda maiores e incomensuráveis. Por isso, devemos ter em mente essas metas com consistência e obstinação em doses inteligentes.

Hoje, qualquer profissional de qualquer área, dispõe de uma gama de informações que jamais cessam de aportar dos meios acadêmicos e, por isso, devemos estar continuamente motivados para nos manter atualizados. Se pegarmos um livro do Chiavenato, por exemplo, um dos gurus da administração, ler e estudá-lo com atenção, ao final deste estaríamos já desatualizados. Por quê? Nesse ínterim, milhares de novas teses e trabalhos científicos estariam saindo do forno. Novas ideias, novos fatos. Por esta razão, todo o conhecimento nunca nos bastaria. O aprendizado como um todo é dinâmico por excelência.

Sou da geração dos estudantes "sem bússolas" e nossos mestres se vingavam ao cobrar (ou punir) com fórmulas cujo método adotado não previa qualquer explicação sobre sua verdadeira razão de ser. Demorávamos tanto, pra ser otimista, a descobrir nossas reais aptidões diante daquela selva que se fechava adiante que, por vezes, fazia com que nossas escolhas se tornassem inviáveis, por vezes tardias ou obsoletas. Éramos jogados num curso técnico mais acessível, ou porque simplesmente era o mais perto de casa (verdade!) ou porque nossos pais podiam oferecer (ou pagar) naquele momento. Nossos pais, quase sempre não tinham bagagens suficientes, mesmo básicas, para orientar vocacionalmente. Nem tinham informações suficientes sobre direcionamento dos seus rebentos aos especialistas. Reação em cadeia!
O maior e mais importante papel dos pais é o de educar moralmente os seus protegidos, mas a escola, especialmente a escola, tem o dever social de orientar e dar suporte a vida adulta, apresentando o mundo, notadamente para as possibilidades de realização profissional. Mas isso, dá muito trabalho!
Num banco público ou em qualquer outro que possui no cerne sua veemente veia comercial, tem de se desenvolver, sobremaneira, a resiliência, a fim de sobreviver frente às muitas batalhas motivadas por pressões para alcance das metas, somadas às tarefas peculiares da práxis diária. É imprescindível saber, nestes termos, a trabalhar sob pressão, sem ter que antes sofrer um infarto do coração. Isso também é parte do nosso estudo diário. Reequilíbrio das emoções sem perdas, da nossa força de trabalho com ganhos, apontados numa mesma direção. Entusiasmo para tocar em frente. Mas isso é lá outro papo.

Todo estudo no mérito de RH é lindo demais. Conceitualmente, ficamos fartos pela dissertação dos ditos "feras" nos assuntos humanos. Muitos, que se julgam verdadeiros deuses em psicologia, administram palestras para dizer o óbvio entre outras boas histórias e que por vezes deixam a desejar quanto ao que tratamos aqui: a felicidade profissional, contemplado o tão almejado romântico "quem corre por amor não cansa".

Não há fórmulas genéricas para a felicidade profissional e cada caso deve ser visto de um ângulo muito particular. Concordo com um amigo que diz ser este assunto muito subjetivo. Ainda bem, estamos bem longe de nos considerarmos máquinas cuja a engrenagem nova ou velha, lubrificada ou não, traz em si o poder de alcançar resultados autossustentáveis ou esperados. Verdade também que tais profissionais, digo dos psicólogos de "primeira linha", que quase legislam sobre o assunto, frequentemente se esquecem dos pequenos detalhes vistos na introdução de sua trajetória de estudos, dispensado-nos grandes "balelas" obtidas de uma visão mecanicista e limitada de alguns pobres burgueses. Mas o assunto incomoda. E muito. Sobretudo quando temos na idade cronológica um forte vilão bloqueador de portas. Na abordagem de muitos, os olhares e oportunidades são diferenciados e direcionados desigualmente. Mas não podemos trabalhar desmotivados, não é?! Claro! Isso dá câncer!

Em certas instituições públicas, é flagrante a dispensa das experiências anteriores adquiridas fora delas. A “coisa” é tratada como se o novo empregado estivesse iniciando um ciclo (ótimo!) e uma carreira profissional (mal, hein!). Exemplo prático: um sujeito foi caixa num banco privado durante anos, tendo recebido treinamento adequado naquela respeitável instituição, “vai” para a instituição pública e não pode dar um "VPA" (visto para assinatura) haja vista a não conclusão do curso de caixa na nova instituição, em razão de apontamentos na ASO (atestado de saúde ocupacional), julgado inapto para a função por um profissional da medicina do trabalho, protegendo interesses outros.

Como atender as nossas expectativas de aprendizagem contínua fora do ambiente corporativo quando os recursos destinados ao incentivo simplesmente não vêm a todos de forma igualitária? Os critérios de incentivo a pós-graduação, por exemplo, são estranhos e, se me permitem outro exemplo, um recém-chegado na empresa, com recursos escassos, perde sempre a vez para um gerente que tem toda a condição de custear seus estudos e desenvolvimento, independente da qualidade dos projetos por ambos apresentados.
Bem, retomando, penso que o auxílio de um “coach” pode trazer grandes benefícios frente aos fatores vinculados particularmente a motivação. Ficarmos sozinhos para fazer emergir nosso entusiasmo frente aos percalços anunciados, pode ser muito complicado. Mas acredito, de pelo em pé, que estamos no caminho. Ainda que seja como uma flor brotando do asfalto.

Valter Brito economiário, Bacharel em Administração de Empesas pelas Faculdades Integradas Simonsen, com extensão universitária em Docência do Ensino Fundamental e Médio pela Universidade Cândido Mendes, Ator, Cantor e Compositor Popular.

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