O caminho a se seguir tem pedras, barrancos e por vezes é estreito...
Já posso ver uma curva fechada lá adiante
Nos olhos, uma certeza absoluta
Tudo passará como as águas de um rio
Quando a solidão me parecer exata e o trabalho intenso,
Vez ou outra envergando o corpo para ver os meus sapatos.
Que sujos, sinalizam sempre o que esculpiram na estrada,
Carregando consigo os variados tipos de barro ou piche
Como na data que encontrei minha mãe
Todos os dias abriram desiguais e as horas não me abandonaram para os segundos
Mergulhei deveras cedo no pensamento abstrato e tão profundamente
E por isso me reservei quanto podia.
Não entendi o óbvio, quando mais clara a vida aos poucos me parecia.
E os mistérios foram aparecendo etéreos, pouco visíveis,
Com a alma sempre inquieta, perguntando-se o porquê, de ser ou estar ali...
Sempre gostei de árvores, espécie de zonas de refúgio...
Algumas me pareciam muito mais confiáveis
Balançava-me então com força pelas mãos precedendo o grande salto
Aprendia assim a cair e reerguer-me com habilidade quase circense
Trazendo, como agora, para a vida madura as sensações da infância recatada
E isso não para por aqui
Embora com poucos recursos, jamais me faltou coisa alguma:
Mãe forte, mestra na arte laborativa e administradora nata.
Pai guerreiro! Irmãs companheiras...
Mas minha carência já era de nascença
Mesmo nunca perdendo a companhia dos protetores
Escutávamos juntos e atentos o “Eu Acredito no Incrível” para brincar de sentir medo
E almoçávamos felizes,
- sai uma galinha fresca ao molho pardo com macarrão cheio de molho de tomate,
No capricho!
Hoje já não o faço mais por conhecer, digamos assim, um tal ingrediente principal de um daqueles pratos dominicais.
Após, à tarde, deleitávamos com as agruras dos mocinhos nas sessões do Abbot & Costello;
Nem fazia falta a cor na TV...
Nesses domingos que eram repletos de tudo e as horas valorizavam o passar
Um pequeno coisa se somava a outro
E construíram um não sei o que de chão para tantos outros coisas.
O que fica, quando voamos, são essas lembranças, digo de quem fica...
O que vai é que me parece muito mais excitante
um mundo cheio de mistérios
Por isso não posso acreditar na morte
Mesmo para os loucos, onde a noite é como o dia, e a liberdade é mais atraente que comida.
Quanto mais para os espirituosos de alma lavada
Que mesmo raros, resistem ao tempo.
Porque onde tiver boa convivência, educação, família unida
Haverá sempre grandes ondas antiarmagedons envolvendo o mundo energeticamente
Para neutralizar a truculência, a ignorância e a dor contaminante
Tenho fé no que digo, no fio metal que sonoriza e nos tambores que rufam,
No utilização do silêncio para base das suas destrezas
Porque por onde eu ando tem pedras, sons, espinhos e belezas.
E a curva acentuada a minha frente me parece menos perigosa
Só os olhos é que cansam
Vai falecendo mansamente, sob o julgo irrefutável da lei que rege os organismos
E o pensamento?... Esse coisa vento?...
Segue enxergando pra caramba!
Aos amigos e lembranças...
VALTER BRITO

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