segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

SE FEZ PEQUENO UM GRANDE DEUS


Minhas origens e sonhos vieram dele
arranhei a vida por um segundo e ele sustentou
se achegou, nos envolveu em sua simplicidade
sem dissimular, ofertou uma ceia com as melhores iguarias
ao alcance de sua mão e mais
apresentou o mar e escondeu o caos
transitou na minha vida como um deus
perambulou pelas ruas e avenidas em provocadas catarses
buscou o pão da hora, sem titubear, alimentou
submisso e austero esposo
catava carangueijo por diversão e coragem
optou em ver a vida, sem as ilusões das letras
portanto, não folheou livros e jornais
mas ouviu, cantou, berrou, correu
perdia cocadas, pedalava
veloz, forte, dominava com doçura
amigo da hora, senhor do trem
não vi um só que dele não gostasse
nunca estava só, companheiro infalível
Eis que amanha ou depois
quando Deus quiser, a despeito da fé
haverei de encontrá-lo
limpo, seguro, com um casa nova
Meu pai, meu ícone, minha inspiração, meu herói...
que ainda traz no seu bojo
a luz da ternura
e a saudade no olhar.

Valter Brito de almeida

Um comentário:

  1. Parabéns, Valter. Poetiza o o amor que ele renasce, diferente, em outro lugar, mas no mesmo coração. Abraço, amigo.

    ResponderExcluir