PORTO
Porto.
Porta de entrada e saída das multi direções inquietantes de caminhos sinuosos.
Das tempestades e despedidas cruéis e desesperançadas.
Do adeus pra nunca mais ou até que um dia.
Mas também reflete o peso da chegada dos filhos da guerra e dos peixes agoniados para dar vida aos famintos.
Porto do afago que incendeia os corações nos deques sutis, um parto.
É onde soam os cochichos do mar, enquanto os amantes provocam as ondas com suas línguas e suas chamas sem camas.
Os beijos infinitos à mercê da corrente, da vida de morte, dos ventos num torpe eterno.
Um porto é uma estação sem ferrovias que lida com os mistérios do mar de arribação.
E um arrebatamento infalível daqueles caminhos que se contempla na mente,
Facilitado pela comunhão do som e da visão.
Mas acima de tudo, porto é sentir que a alma está acontecendo
Ali,
Como agora.
VB
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