Por fora somos importante reflexo do que somos por dentro. Não podemos ou devemos ignorar sumariamente uma primeira impressão. Certo?
Em princípio, somos cada um, como um painel de um boing 737 visto pela primeira vez. Quando estamos diante de alguém, estamos diante dos seus controles primeiramente, que são esses seus primeiros “elementos” de contato, e não damos conta de entendê-lo de pronto sem antes estudá-los um a um, com afinco e critérios. Cada pessoa tem seu germem de sedução que a faz interessante para alguns, não para outros, porque é portadora de um código que vai além do DNA, inequívoco e exclusivo. Mas não cansamos de abrir brechas, notadamente quando nos ocupamos de utilizar de esteriótipos sugeridos pelo grupo social a fim de nos sentirmos classificados, situados e concomitantemente protegidos e seguros. É como ler as mãos. Algum conhecimento sobre quiromancia, suas poucas linhas e pronto! Descortinam-se os arquivos ocultos ou quase implícitos da mente, ou não! Os búzios ou as cartas não dizem absolutamente nada, se não fosse precedido de um lance certeiro. O mistério é a ação, porém. Mas o acaso fica com os louros, é o trunfo das faculdades internas inexploradas mas antes percebidas e, por isso, soa misterioso como misteriosa se revela uma fé, de significância abusiva mas irrestrita. Esoterismos a parte, não podemos esquecer os olhos, espelhos que são, da maior revelação da máquina humana. Numa dada intrevista de emprego, nos preocupamos em manter as convenções para esconder possíveis pontos vulneráveis e assim podermos ao menos, sentir-nos amparados pelo estudo de casos e preparados para competir de igual maneira a uma vaga aberta para tantos e tantos candidatos. A gravata, que não serve pra nada, vem apenas ilustrar, literalmente, a vontade de nos sentirmos um igual e também ser o que se espera diante da devoradora sociedade, demostrando falsamente ou não, que nossa capacidade é totalmente compatível a àqueles com os quais disputamos tal objeto de atenção, uma namorada, um posto. Paradigmas!
É sensato dizer que a inobservância dos itens como, higiene e asseio não podem e não devem ser esquecidos, se é que me entende, quando se quer conquistar alguma coisa no campo profissional tanto quanto nas dimensões do relacionamento. Quando estamos de mal com a vida, nos agredimos de tal sorte, que sem preceber, refletimos o nosso desencanto na própria maneira de vestir e agir e... olhar. Se não podemos usar um bom e leve perfume, uma roupa limpa e alinhada, talvez nova, lancemos mão então de outros recursos particulares, mas não apelativos, a fim de facilitar a nossa confiança que, sem ela, ficaríamos feito verdadeiros castelos de areia.
Quando eu quero me sentir bem, e partir para alguma empreitada, com devida confiança, primeiramente cuido da aparência. Um corte de cabelo providencial, uma barba bem feita e uma noite bem dormida, e se descolar um carinho bem que ajuda. Claro, precisamos liberar endorfinas que ninguém é de ferro. Bem bonitinho, a moda de mim mesmo, se possível, e com reconhecido toque das convenções sociais conhecidos como o descrito acima, vou sentindo o meu coração pulsar em consonância com o discurso que mais trago comigo depois de maduro, como uma bandeira que diz: ninguém é melhor do que ninguém neste mundo. Não neste. Atravesso as avenidas seguindo tal princípio da igualdade num arrebatamento, partindo então pra cima dos objetivos sem nenhum medo de ser feliz. Se der errado, deu. Talvez não tenha sido o momento apropriado. Ou por incompetência mesmo da “banca julgadora”.
Dizem que a primeira impressão é que fica. Isso diz respeito a nossa habilidade natural de escanear as pessoas com base nas deduções empíricas, acadêmicas ou de um cursinho bem chulé. Mas que o tema merece o devido cuidado e respeito, merece. Fico com ela muitas vezes.
Com o respeito às tribos diversas, sem querer afrontar, mas algumas pessoas, a título de se sentirem diferentes das demais, por algum capricho, modismos ou fanatismo, tornam-se esquisitas e sabemos, o fazem muito mais para atrair atençao ou ferir gratuitamente algum paradigma, adotando, no entanto, atitudes iguais, peculiares do seu grupo social e por isso não se revelam diferentes coisa alguma. Se fazem isso para abrir uma ferida, eu pergunto do porquê? E para quê? Para escamotear o que não se revela sem esforço e sem que se pague um preço ou um horário nos consultórios ou divãs?
A aparência revela, inclusive, o nosso esforço em sermos bem aceitos e nossas idéias possam entrar nalgum esquema.
A razão para se vestir é enfim: sentir-se bem, sem forçar, e ir além de esconder as próprias vergonhas.
Valter Brito
26/08/2011

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